quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Salve, símbolo augusto da paz!

Nesse dia que se comemora o Dia da Bandeira, quero falar sobre o Hino à Bandeira dos cariocas Francisco Braga e Olavo Bilac.

Antonio Francisco Braga - que muitos nem identificam quando vêem seu nome na rua ,ali pelos lados do Bairro Peixoto - foi criado no Asilo de Meninos, em Vila Isabel - depois Instituto João Alfredo e atual Colégio Estadual João Alfredo - de onde saiu aos 21 anos, e a partir daí se tornou o brilhante músico, maestro, compositor sinfônico. A clarineta aprendida na banda escolar do asilo, despertou seu talento para a música, e lhe deu a trilha da vida. Através de bolsa, estudou música e composição na Europa , e assim surgiu uma obra exuberante de maiores proporções, utilizando recursos cênicos, vocais e orquestrais. Como Jupira, baseado em novela de Bernardo Guimarães, ópera em um ato, que dirigiu pela primeira vez no Teatro Lírico do Rio de Janeiro em 1900, ano da sua volta ao Brasil; a partir de temas nacionais, a música para O contratador de diamantes, drama de Afonso Arinos, ou em 1909, na inauguração do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, seu poema sinfônico Insônia, apresentado em primeira audição.
A curiosidade fica por conta de seu apelido - Chico dos Hinos - devido a inúmeras composições de marchas e hinos.
Para completar a dupla do Hino à Bandeira, só poderia ser o não menos genial Olavo Bilac.
Jornalista, poeta, cronista, contista, frequentador das rodas boêmias e literárias do Rio, além da vasta obra como poeta parnasiano, deixou também na imprensa do tempo do Império, e dos primeiros anos da República, vasta colaboração humorística e satírica, assinada com os mais variados pseudônimos, entre os quais os de Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, ...

E foi atendendo a um pedido do Prefeito do Rio de Janeiro, Francisco Pereira Passos, que o poeta Olavo Bilac compôs o poema em homenagem à Bandeira.
A idéia surgiu quando da inauguração da Escola Tiradentes, no Rio de Janeiro, em 1905, onde em meio a altas autoridades, após a execução do Hino Tiradentes, Pereira Passos, entusiasmado, determinou à Diretoria da Instituição Pública, que diariamente se fizesse homenagem ao Pavilhão Nacional, seu hasteamento e que fosse entoado um hino. O Diretor Geral, então incumbiu o maestro Francisco Braga e Olavo Bilac de tal missão.
Assim, surgiu, em 1906, o belíssimo Hino à Bandeira Nacional , divulgado no Boletim da Intendência Municipal e executado pela primeira vez no início das aulas do antigo Instituto Profissional - Colégio Estadual João Alfredo - em homenagem a Francisco Braga, ex-aluno e mestre do educandário e o Hino à Bandeira passou, então, a ser cantado diariamente em todas as escolas públicas.
Que pena que isso não ocorra ainda hoje!
A 29 de Dezembro de 1918, em bela homenagem, foi o Hino à Bandeira entoado pelos escoteiros, durante a guarda dos restos mortais do imortal poeta Olavo Bilac, expostos no Salão Nobre da Academia Brasileira de Letras.
Salve lindo pendão da esperança!
Salve símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.

Recebe o afeto que se encerra
em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever,
E o Brasil por seus filhos amado,
poderoso e feliz há de ser!

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre, sagrada bandeira
Pavilhão da justiça e do amor!

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Vale ver e ouvir aqui a bela interpretação do Hino à Bandeira
por um outro carioca, Ivan Lins.

Clique
e se emocione!

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