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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Há 60 anos, no Rio...

... a cidade chorava a morte de CARMEM MIRANDA.


Em 5 de agosto de 1955, aos 46 anos de idade, Carmem Miranda foi vítima de um copalso cardíaco. Seu corpo foi trazido para o Brasil no dia 12 e velado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sendo sepultado no cemitério São João Batista.

Mais de quinhentas mil pessoas acompanharam, chorando, os funerais da querida cantora popular, enquanto cantavam (em surdina) os seus maiores sucessos. 

A última foto



Várias personalidades do mundo político, social e cultural se manifestaram diante do acontecimento. 

Jorge Guinle: 

"Nossa dívida para com ela nunca poderá ser saldada" 

Embaixador Negrão de Lima: 

    "Foi, a seu modo, uma admirável e efetivíssima embaixatriz do Brasil"

 Almirante: 

    "Foi por querer cantar a música brasileira que ela morreu"

 Assis Valente: 

    "Carmem Miranda foi minha obsessão"

 Ary Barroso: 

    "Fiquei surdo, mudo, cego, paralítico de emoção"

 Mário Reis: 

    "Não creio que Carmem tenha morrido"

 André Filho:

    "As pessoas que honram e ficam consagradas na música popular, não morrem. Ficam para sempre". 

Vale reler a crônica, abaixo, publicada em 12/8/1955


( 1a. página, jornal O GLOBO)


domingo, 18 de setembro de 2011

O jornal carioca "Diário de Notícias", na sua edição de 13 de setembro de 1940, publicava:



Nunca uma assistência tão brilhante correspondeu a uma estréia tão sensacional como a de Carmen Miranda ontem na Urca.
Pode-se dizer, sem favor, que sua apresentação foi impecável. Tudo esplendidamente cuidado: os cenários, a escolha das músicas, os acompanhadores, as orquestras. Finalmente precedida de um lindo bailado brasileiro, aparece Carmen Miranda.
E interpreta, melhor do que nunca, as canções de seu novo repertório. "O Dengo da Nêga", "Voltei p'ro Morro", "Os Quindins de Iaia", são alguns dos grandes sucessos da estréia de ontem. Cada canção era coberta de aplausos e pedidos de bis.
Carmen Miranda esteve, em verdade, magistral. Uma voz esplêndida, que melhorou muitíssimo sobre apresentações anteriores. Um ritmo bem marcado e bem brasileiro. Muita graça, muita brejeirice, muito equilíbrio, muita elegância. Carmen Miranda confirmou, superando, suas qualidades anteriores. O Grande Otelo foi um "partner" excelente.
O brilho da estréia de ontem excedeu a todas as expectativas.
Carmen Miranda iniciou, ontem, a sua semana triunfal na Urca.


domingo, 30 de maio de 2010

Domingo carioca, dia de pernas de fora...4

A frase de Ibrahim Sued cabe bem como título para essa foto:
  • um flagrante de Carmen Miranda ao lado da irmã Aurora Miranda, na praia de Copacabana, publicado na Revista Carioca, empresa A Noite, em 1936.


Detalhe para os maiôs de perninha, quase um macaquinho , hoje tão em moda e largamente usados pela cantora pop Beyoncé e largamente imitado pelas pops daqui e do mundo. O da Carmen ainda traz um belo detalhe: que drapeado!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Primavera inspiradora...

Desde as primeiras projeções, os filmes mudos eram sempre acompanhados de música incidental, seja por pianistas, instrumentistas, pequenos conjuntos ou até orquestras completas.

Aí vieram os chamados filmes cantantes, onde som e a imagem ganharam outra dimensão: sincronismo sonoro. Através do acompanhamento musical, nas cenas projetadas, e, principalmente, entre as canções apresentadas ao vivo e as partes cantadas na tela, típicas dos gêneros musicais, ocultação dos atores e cantores atrás da tela, etc.

A partir de 1930, a infra-estrutura para a produção de filmes no país se sofistica com a instalação do primeiro estúdio cinematográfico, o da companhia Cinédia, no Rio de Janeiro, de Adhemar Gonzaga, jornalista que escrevia para a revista Cinearte.

E aí surge o cinema ligado à revista musical, com a fórmula de sucesso, que alternava músicas e sátiras da época.

Um desses filmes, e um marco do gênero é Alô, alô Brasil, produzido pela Cinedia em 1935, que marca a estréia de Carmem Miranda, cantando, em um longa-metragem.

Nesse tempo, no Rio, durante a primavera preparavam-se as festas da mocidade, com as lindas Rainhas da Primavera, ótimo motivo para produção de músicas de todos os gêneros. Nisso inspirado, João de Barro, o Braguinha, compôs uma alegre marcha:  PRIMAVERA NO RIO





Na foto abaixo, Carmem Miranda interpreta a música Primavera no Rio, no número final do filme Alô, Alô Brasil, de 1935. Fechar um filme com número musical, na época, era honra reservada somente aos grandes artistas. Carmem estreou em grande estilo!



quarta-feira, 24 de junho de 2009

Viva São João!



Você sabia que Carmen Miranda 
foi uma grande intérprete 
de clássicos das festas juninas?


Pois é... em 1933 gravou Chegou a hora da fogueira, 
de Lamartine Babo , junto com Mário Reis




"Chegou a hora da fogueira
É noite de São João
O céu fica todo iluminado
Fica todo estrelado
Pintadinhode balão
Pensando na cabocla a noite
Também fica uma fogueira
Dentro do meu coração
Quando eu era pequenino
De pé no chão
Recortava papel fino
Pra fazer balão
E o balão ia subindo
Para o azul da imensidão
Hoje em dia meu destino
Não vive em paz
O balão de papel fino
Já não sobe mais
O balão da ilusão
Levou pedra e foi ao chão"



e em 1935, a música Sonho de papel, de Alberto Ribeiro, 
ambas sucessos até hoje.


“O balão vai subindo
Vem caindo a garoa
O céu é tão lindo
E a noite é tão boa
São João, São João
Acende a fogueira meu coração...
Sonho de papel
A girar na escuridão
Soltei em seu louvou
No sonho multicor
Oh! Meu São João
Meu balão azul
Foi subindo devagar
O vento que soprou
Meu sonho carregou
Nem vai mais voltar”. 


Vamos cantar 
e comemorar 
São João!


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Rua Carmem Miranda na Ilha do Governador



Rua Carmen Miranda em 1936


Três dias após a morte de Carmen Miranda, o vereador do Rio, Geraldo Moreira, solicitou à Camara, através de requerimento, que fosse dado o seu nome à Travessa do Comércio, rua da hospedaria da família Miranda da Cunha - sua família - como justa homenagem da cidade àquela que " internacionalizou a música popular brasileira, contribuindo igualmente para o engrandecimento do nome do Brasil no exterior". Não houve concordância com o vereador, a proposta não foi concretizada e o nome de Carmen Miranda foi parar em uma rua no bairro do Jardim Guanabara, na Ilha do Governador.

Em 20 de setembro de 1960, um busto de Carmen Miranda trajando bata de baiana em babados e colares e com um turbante tutti-frutti, foi inaugurado no Largo da Carioca. No entanto, com a reforma do local na década de 70, o busto também foi transferido para a praça, na Rua Carmen Miranda.




Ah! Rua Carmen Miranda...

Pra ali me mudei aos 14 anos. Rua linda, cheia de verde. Uma ladeira íngrime e sinuosa, no final da Praia da Bica, ligando o Jardim Guanabara ao Cacuia.

Hoje, provavelmente não é mais assim, mas era uma rua só de casas e muitos terrenos vazios. Logo na subida tinha a casa da árvore. Sim, ela era dentro da casa. O projeto a incorporou, para aproveitar o terreno, e deu o toque diferente que marcava a construção. Aí a rua começava uma curva ascendente à direita e depois reta para cima e bem lá no final começava a descer.

Ufa! Como era difícil subí-la, a pé - e como fazíamos isso - na volta da praia com o sol a pino. No tempo em que não se bronzeava, mas sim se torrava com óleo Johnson e muito iodo - ou com o Rayto del Sol - pra ajudar. Tempos de uma Praia da Bica, como praia, e muitas conchinhas e cascalhos na sua areia. Tempos do encontro com as pessoas da turma, pra muita conversa fora.

No meio dessa subida íngrime ficava a pracinha, à esquerda, e lá estava o busto da Carmen Miranda, desdenhado pela cidade e orgulhosamente acolhido pela Ilha. Aliás, sempre enchi a boca para falar que morava na Rua Carmen Miranda. Minha casa era enorme, principalmente pra quem vinha de um apartamento.
Tinha caramanchão e até laguinho com chafariz no jardim.

Ah! Rua Carmen Miranda! Da iluminação em estilo de lampiões, que deixavam a rua romanticamente pouco iluminada - sem as preocupações atuais com segurança - e se via, sempre, um céu apinhado de estrelas, onde se procurava constelações. Do guarda noturno que passava à noite e apitava. Das corujas que vinham pousar, serenas, no parapeito do muro e ali ficavam com seus olhares enigmáticos. Do calçamento em paralelepípedos. Andávamos no meio da rua, sem muitos carros ou trânsito, pois faltavam calçadas. Só algumas, em frente às poucas casas que existiam.

Ah! Rua Carmen Miranda! Do lindo amanhecer, que via da janela, dourando o céu e animando o nascer do dia, que começava cedo, ainda de noite, pra pegar o ônibus e dar tempo de chegar na hora, no colégio ou depois na faculdade, apesar do engarrafamento da Avenida Brasil.

Ah! Rua Carmen Miranda! Da fauna curiosa de lagartos e gambás, que atrevidos insistiam em atravessar a rua, durante sua caminhada, ou até invadir a casa , pra sustos e arrepios.

Ah! Rua Carmen Miranda! Do cheiro de mato, dos flamboyants vermelhos e alaranjados, das normas apinhadas de suas flores rosas e do capim alto - e até bonito - que embalançava ao vento!

Ah! Rua Carmen Miranda! Das casas em estilo alemão, ou das varandinhas antigas, e das escadas pelos terrenos inclinados da topografia local; dos atalhos pela Rua Conquista ou pela Rua Porto Seguro, para cortar caminho. Do padeiro que passava pela porta, e sua cesta de pães e pães-doces.

Ah! Rua Carmen Miranda... de tantas recordações e saudades!
Nunca mais passei por lá, desde 1974, quando me mudei. Sei que deve estar tudo muito diferente, mas gosto de guardar as imagens desse tempo. Desses sete anos mágicos que por lá vivi.

Hoje Carmen Miranda faria 100 anos e minha homenagem a ela fica por conta de um tempo maravilhoso que vivi na rua com seu nome, com o mesmo astral animado dela, e com sua bênção, tenho certeza.

VIVA CARMEN MIRANDA!

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Carmen Miranda _1

Disseram que ela se americanizou,

mas nada tão verde e amarelo

quanto sua imagem, sua presença, seu talento,

que nos inspira a cada momento.

Duas aquarelas que pintei, em sua homenagem.

VIVA O CENTENÁRIO DE CARMEN MIRANDA!