quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Aniversariante do mês de novembro. Parabéns pelos 70 anos!


  Em meio a uma crise com a Portela, causada pelo sucesso de "Sei lá, Mangueira" - de sua autoria e de Hermínio Bello de Carvalho, mangueirense - Paulinho da Viola leu o livro "Por onde andou meu coração", de Maria Helena Cardoso, e nele viu a frase "Se um dia meu coração for consultado"... Esse acabou sendo o verso inicial deste belo samba em homenagem à Portela, que o próprio Paulinho gravou com vocalistas e músicos da escola, fazendo definitivamente as pazes com ela. Lançado no final de 1969 em compacto duplo, "Foi um rio que passou em minha vida" é hoje um clássico!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Música Carioca de Sempre...continuando


1952 também nos deu:


Nora Ney
Ninguém me ama, de Antônio Maria e Fernando Lobo 




Essa música  fez parte da trilha do filme Carnaval Atlântica, chanchada sucesso, dirigida por Carlos Manga.





sábado, 24 de novembro de 2012

Música carioca de sempre

Em 1952, há 60 anos,
  Dick Farney  lançou 
sucessos cariocas de todos os tempos: 




Alguém como tu, de José Maria de Abreu e Jair Amorim ,





Nick Bar, de Garoto e José Vasconcelos  





Continua AQUI


terça-feira, 20 de novembro de 2012

Orfeu Negro, o filme

Orfeu Negro, o filme ítalo - franco - brasileiro de 1959, dirigido por Marcel Camus - roteiro do filme por Camus e Jacques Viot  -  foi adaptado a partir da peça teatral Orfeu da Conceição de Vinícius de Moraes.

A trilha sonora é de Tom Jobim e Luís Bonfá. Vinícius e Antônio Maria também tiveram músicas incluídas, mas, assim como Agostinho dos Santos, que interpretou a música-tema de Orfeu, Manhã de Carnaval, não receberam os créditos. O filme teve outra versão em 1999, sob o nome Orfeu, dirigida por Cacá Diegues.

A versão de Camus ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro, em 1960, e aqui inserimos essa obra completa.

Uma curiosidade:

Aos 13 minutos aparece o grande Cartola, numa cena deliciosa (foto abaixo), fazendo figuração e dando beijinhos na D. Zica.




Clique abaixo e curta!
Vale a pena assistir.





sábado, 17 de novembro de 2012

BOSSA NOVA no Carnegie Hall... há 50 anos

 Numa quarta-feira, a Bossa Nova era apresentada ao mundo. 


A data, 21 de novembro de 1962.

Carnegie Hall, Nova York,  20:30hs,era o que o relógio marcava quando uns meninos subiam ao palco para mostrar um tal balançado da New Brazilian Jazz como os americanos gostavam de dizer. 






 Tom ao piano, João GIlberto ao violão


Quem eram estes meninos? 

Ninguém menos do que Oscar Castro NevesSérgio MendesRoberto Menescal,Carlinhos LyraChico FeitosaMilton BananaSérgio Ricardo,Normando SantosDom Um RomãoLuiz BonfáAgostinho dos SantosJoão Gilberto e Antonio Carlos Jobim que à época já era famoso nos Estados Unidos como o compositor de “Desafinado”. 

O fino da bossa que ali estava tinha a missão de provar que o Brasil era capaz de produzir música sem pandeiro.

Mas essa noite da Bossa Nova não foi só sucesso. Teve muita confusão. A começar pela escolha do elenco. 


Muita gente boa ficou de fora, como João Donato e Johnny Alf; alguns  bateram o pé alegando que Bossa Nova não se misturava com passistas e ritmistas,que estavam não se sabe porque no meio do grupo. 

Também a imprensa brasileira fez pouco caso da apresentação e foi muito cruel nas suas piadas. O fato é que era esperado um verdadeiro desastre na apresentação dos brasileiros, coisa que preocupava principalmente Tom Jobim, João Gilberto e Luiz Bonfá, nomes que já corriam por bocas estrangeiras. Tanto é verdade que Tom Jobim só embarcou depois de ser enfiado à força dentro de um avião pelo amigo cronista Fernando Sabino: “Você vai vencer, Tom”.

Muitos deslizes aconteceram de verdade, como Normando Santos cantando com o microfone desligado, Roberto Menescal escorregando na letra de “O barquinho” e o próprio Tom pedindo um minutinho para recomeçar “Corcovado”. A tragédia pessoal não aconteceu pois “Corcovado” entrou nos eixos, e ele cantou a letra toda, em português e inglês, e aí a platéia só faltou se jogar aos seus pés.

 E é válido ressaltar que na distinta platéia estavam Tony BennettDizzy GillespieMiles DavisGerry MulliganHerbie Mann entre outros que também queriam escutar de perto o violão de João Gilberto. Por isso, este foi o escolhido para encerrar o concerto deixando Sérgio Mendes responsável pela abertura.



Clique nos recortes e leia em tamanho grande


Ibrahim Sued escreveu...




A partir desta noite, a vida da Bossa Nova mudou

 completamente. E, claro, a música brasileira. 


Um dos pontos mais altos no espetáculo de Bossa Nova no Carnegie Hall, em 21 de novembro de 1962, foi a apresentação de Luiz Bonfá ao violão e Agostinho dos Santos cantando Manhã de Carnaval. Bonfá lembra que Agostinho, muito nervoso, abordou-o pouco antes do show começar e pediu para cantar junto. Bonfá, muito sem jeito, disse que não, já o que estava combinado era que ele faria apenas um solo com o violão. Agostinho não desistiu: “Não tem importância, você modula que depois eu entro …”. Depois de muita insistência, Bonfá cedeu: combinaram que ele faria primeiro uma introdução instrumental e depois anunciaria Agostinho. Mas quando o violonista começou a tocar, os aplausos abafaram o som. Agostinho dos Santos e Luis Bonfá foram responsáveis pelo maior aplauso cantando e tocando temas de "Orfeu Negro" - Palma de Ouro em Cannes.


O LP que registrou essa grande noite apresenta



Sergio Mendes e Sexteto
Carmem Costa
Bola Sete
Jose Paulo
Sergio Ricardo
Quarteto de Oscar Castro Neves
Luiz Bonfa
Agostinho dos Santos
Joao Gilberto
Milton Banana
Carlos Lyra
Ana Lucia
Caetano Zamma
Normando
Chico Feitosa




Faixas:

01 - Samba de Uma Nota Só - Sergio Mendes e Sexteto
02 - Bossa Nova York - Carmen Costa, Bola Sete & José Paulo
03 - Zelão - Sergio Ricardo
04 - Não Faz Assim - Quarteto de Oscar Castro Neves
05 - Influência do Jazz - Quarteto de Oscar Castro Neves

06 - Manhã de Carnaval - Luis Bonfá
07 - Manhã de Carnaval II - Luis Bonfá, Agostinho dos Santos; Quarteto de Oscar Castro Neves
08 - A Felicidade - Luis Bonfá, Agostinho dos Santos ; Quarteto de Oscar Castro Neves
09 - Outra Vez - João Gilberto ; Milton Bana
10 - Influência do Jazz - Carlos Lyra ;Quarteto de Oscar Castro Neves
11 - Ah Se Eu Pudesse - Ana Lucia ; Quarteto de Oscar Castro Neves
12 - Bossa Nova Em Nova York - Caetano Zamma; Quarteto de Oscar Castro Neves
13 - Barquinho - Roberto Menescal ; Quarteto de Oscar Castro Neves
14 - Amor no Samba - Normando ; Quarteto de Oscar Castro Neves
15 - Passarinho - Chico Feitosa ; Quarteto de Oscar Castro Neves




Ouça a faixa 5




Uma curiosidade sobre a Bossa Nova que vale a pena recordar:

 Jairo Leão, pai de Nara, contou que o poeta Manuel Bandeira, seu grande amigo, foi um dos primeiros intelectuais a enxergar revolução naqueles violões juvenis, quando disse que

 "a urbanização fará surgir uma nova música.
Nos prédios de Copacabana, as moças não podem ouvir serenatas."

ACERTOU!  




sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Recenseamento no Rio de Janeiro

Mais uma crônica de todos os tempos.
Vale ler, sempre, Olavo Bilac.


Recenseamento 

Enfim, vai o Rio de Janeiro conhecer-se a si mesmo… Uma cidade sem recenseamento é uma cidade que a si mesma se ignora, porque não tem a consciência da sua força, do seu valor, da sua importância. 
É mais que um serviço —- e não é dos menores — que o Rio vai dever ao seu prefeito, a esse homem providencial, de quem já se pode impunemente dizer o maior bem, sem o risco de passar por adulador, pois que já não há, em toda a cidade, quem o não admire e o não louve. 
Infelizmente, já se descobriu o meio de opor embaraços à realização da bela idéia. No mesmo dia em que o prefeito decretava a organização do recenseamento da população, era publicado um ofício do ministro da Guerra, solicitando a organização do alistamento militar… E o povo, cotejando essas duas medidas, juntando-as, pesando-as na mesma balança, começou logo a atribuir-lhes uma aliança oculta um conúbio escondido, uma identidade de intuitos e de fins. A gente culta (que infelizmente não é legião) sabe- que esses dois serviços nada têm de comum, e que o propósito da prefeitura é, única e exclusivamente, o de saber quando habitantes tem a capital da República — cousa que, por vergonha de todos nós, ainda não se havia tentado averiguar. Mas, para a gente ignorante e desconfiada (a desconfiança e a ignorância são irmãs gêmeas), o recenseamento é o pretexto para o alistamento militar — e já o medo da farda e do serviço de caserna começa a sugerir às almas inquietas a idéia de se recusar a encher as listas censitárias. 
Esse terror é natural. Antigamente, o recenseamento apenas era feito para auxiliar dois serviços profundamente antipáticos aos povos de todos os tempos: o do recruta­mento militar e o da cobrança de impostos. O imposto e a farda — dois espectros, dois espantalhos! Já na velha Roma, no remotíssimo tempo de Servius Tulius, quando oscuratores tribuum saíam, com as suas tabuinhas ence­radas e os seus estiletes de marfim, a percorrer a urbe, e a recensear os habitantes, separando-os em assidui e proletarii — um medo pânico se alastrava pelas vielas e pelas alfurjas da cidade, e um terço da população, sabendo que aquilo significava guerra ou imposto, cobrança de sangue ou cobrança de dinheiro, transpunha as portas, e ia refu­giar-se no campo.

Hoje, o recenseamento tem um fim mais amplo, mais nobre, mais belo — um fim social.
E uma parte essencial da estatística, que, sendo "o estudo numérico dos fatos sociais", é uma das ciências tributárias e auxiliares da socio­logia. Como explicam os mestres da economia política, a vida social é um movimento perpétuo, uma transformação contínua, e uma constante renovação de fenômenos, que, por mais diversos que pareçam, sempre se podem classi­ficar em um número relativamente limitado de categorias. Não há um só fato individual que deixe de ser interessante, porque os fatos individuais, reunidos, formam os fatos so­ciais; e não há meio de governar sem o conhecimento des­ses fatos. 
É a estatística que torna possível o governo. Ela é, por assim dizer, a "escrituração social": se uma casa de comércio não pode viver e prosperar sem o registro minu­cioso das suas compras e vendas, e sem* os balanços pe­riódicos que demonstram o bom ou mau çstado dos seus negócios — também a sociedade humana não pode dispensar os seus guarda-livros, que são os encarregados da estatística. 
Essa "escrituração social" tem sido até hoje criminosa mente relaxada no Brasil. Os "guarda-livros" do país, ou são incompetentes, ou são indiferentes. Aqui a estatística é um mito. Para não ir muito longe, e apenas citar um fato simples e de fácil verificação, basta lembrar que, no Rio ele Janeiro, a Biblioteca Nacional e o Museu Nacional não têm catálogos! É incrível, mas é verdade… Se nem temos sido capazes de organizar e publicar o catálogo de um museu ou de uma biblioteca, não é de espantar que não tenhamos organizado e publicado até hoje o catálogo geral da nossa população, das nossas riquezas, do nosso trabalho, da nossa vida…

Há pouco tempo,; a Legação Japonesa no Brasil dis-tribuiu, pelas repartições públicas e pelas redações dos jornais, o Anuário financeiro e econômico do Japão relativo a 190$. Lendo esse livro, que é um monumento assombroso e maravilhoso de estatística, é que se pode compreender o estupendo progresso daquela nação.

O que nós costumamos chamar "milagres" não é mais do que o resultado simples e natural da combinação destas duas forças: o trabalho e o método… Nesse anuário, tudo quanto constitui a vida do país está incluído, estudado, dis­criminado, catalogado, classificado: orçamentos, dívida pú­blica, empréstimos, agricultura, indústria, viação, comércio. Há ali cousas que espantam; há, por exemplo, um quadro demonstrativo da produção do fumo, que é um assombro de exatidão e de minúcia: o fumo colhido foi contado de folha em folha… E com esse trabalho e com esse método que as casas de comércio prosperam, que as casas de família têm fartura e conforto, e que as nações enriquecem e se fazem fortes e respeitadas! 

Agora reparo que a "Crônica" está perdendo o tom que lhe compete, e enveredando por um estilo que não é o seu. 

Estas cousas são tão corriqueiras, que até as crianças das escolas primárias as conhecem… 

E parece, realmente, que é pedantaria ridícula, e ridícu­la ostentação de  barata, o estar aqui o cronista a demonstrar as vantagens e a utilidade da estatística em geral, e do recenseamento em particular… 

Mas estas idéias, tão simples, tão claras, tão vulgares, não podem, desgraçadamente, ser eficazmente incutidas no ânimo de toda a nossa população. Por quê? porque uma grande parte da nossa população não sabe ler… 

Basta lembrar a última bernarda que tivemos no Rio: a de novembro de 1904… Que foi o que causou esses sanguinolentos motins? Foi a intriga perversa de alguns especuladores políticos que excitaram o povo contra a lei da vacinação: e muita gente acreditava que os médicos iam injetar no seu corpo sangue de rato atacado de pestebubônica! Essa balela, que apenas parecia cômica, teve efeitos trágicos. Que utilidade poderiam ter, para destruí-la, os boletins profusamente espalhados pelas autoridades sanitárias, e as explicações dadas pela imprensa? Nenhuma. O papel benéfico da imprensa não pôde deixar de ser quase nulo, numa cidade que conta quase 1 milhão de habitantes, mas na qual todos os jornais diários reunidos não chegam a vender 100 mil exemplares por dia… 
Assim,.não há meio de contrariar eficazmente o equívoco, que a publicação simultânea das duas medidas veio criar. Se o Ministério da Guerra houvesse adiado a publi cação do seu propósito — o povo, que confia no prefeito, porque dele só tem recebido benefícios e cuidados, veria no recenseamenro mais uma prova da sua paterna! adminis­tração, c auxiliá-lo-ia. Mas parece que há, neste pais, uma doença orgânica, que leva muita gente, irresistivelmente, a perturbar e estragar, com consciente ou inconsciente mal­dade, tudo quanto se pretende fizer de bom. 
Vão agora tirar da cabeça de certa gente que a entrega das listas censitárias há de expô-la ao recrutamento militar! 
O que é verdade é que, para, abusivamente, c contra­riando expressamente a letra da lei, pôr em prática o recru­tamento forçado, as autoridades militares não carecem do recenseamento. Ainda há pouco, para organizar a parada espetaculosa de uma guarda nacional que não existe, alguns coronéis de mentira andaram complicando a vida domésti­ca dos cidadãos, privando-os violentamente dos serviços dos seus cozinheiros e dos seus copeiros…
O povo, porém, não compreende isso. Se lhe não de­monstrarem cabalmente que o recenseamento civil, orga­nizado pela prefeitura, nada tem de comum com o alista­mento militar, organizado pelo Ministério da Guerra, ele, apavorado pelo fantasma da Farda, há de mais uma vez fur­tar-se ao cumprimento de um dever social, que tão facil­mente e com tão grande utilidade para todos pode ser cumprido. Como, porém, fizer essa demonstração àqueles que, por culpa e desídia do Estado, continuam aviltados pelo analfabetismo, moralmente cegos, tristemente manti­dos na ignorância, privados da compreensão dos seus direi­tos e dos seus deveres?  
   
É aqui que tudo vem ter: o problema da instrução é como, nas máquinas, o eixo central, em torno do qual os movimentos de todas as peças se combinam e conjugam. Por isso, é que não deixo de tocar este realejo, cuja música pode parecer enfadonha, mas é indispensável: e "si cette histoire vous embête,/ nous allons la recommencer!". ["se esta história vos aborrece/ nós vamos recomeçá-la” ]
Gazeta de Notícias, em 17 de junho de 1906


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Rio porque tô no Rio

Os ecos da bossa nova agora podem ser ouvidos nas vozes de integrantes do Forfun e do Dibob. Músicos das duas bandas se juntaram para gravar “Rio porque tô no Rio”, uma ode à Cidade Maravilhosa. A levada no violão e temática que lembram “Rio”, inspiada em Roberto Menescal, com acréscimo de pandeiro e cuíca.

Música - Dedeco,Danilo Cutrim e Vitor Isensee
Flauta - Lelei Gracindo
Percussão - Junior Oliveira




terça-feira, 13 de novembro de 2012

Eucalipto Arco- Íris no Rio de Janeiro

Roberto Burle Marx, no início da década de 80 plantou, em uma tarde, 3 mudas de Eucalyptus Deglupta, no seu sítio em Guaratiba.

A bela árvore,única espécie de eucalipto originária do hemisfério norte, de Mindanao que é a 2ª maior ilha do arquipélago das Filipinas, se espalhou para New Britain, Papua Nova Guiné, Sri Lanca e Congo. Daí foi levada para o mundo e é amplamente utilizada ,coitadinha, na produção de papel.



Seu tronco, que pode atingir um diâmetro de 240 cm, tem um belo aspecto multicolorido, responsável pelo belo nome popular: eucalipto arco-íris. Todo ano, troca suas cascas e deixa aparecer seu interior colorido,  mostrando uma casca verde brilhante interior que depois amadurece e se transforma em tons de azul, roxo, vermelho, laranja, amarelo e marron.

Como esta árvore é o maior dos eucaliptos e que em seu habitat natural chega a 100 m de altura, em futuro não muito distante, serão as maiores árvores do Rio de Janeiro, visto que com pouco mais de 30 anos já estão em torno dos 40m.

domingo, 11 de novembro de 2012

Arquitetura escondida no Rio

Os cobogós do Liceu de Artes e Ofícios, na Cidade Nova, 
prédio considerado pós-modernista. 
O edifício foi projetado por Enéas Silva, na década de 50
Elementos modernistas se misturam no projeto do Liceu de Artes e Ofícios  

Eles não criaram a paisagem carioca. E, nem sempre, são os autores dos grandes ícones da arquitetura da cidade, como o Teatro Municipal ou o Edifício Gustavo Capanema. Mas marcaram sua assinatura em belas construções, que hoje fazem do Rio um mosaico interessante de diferentes estilos e épocas. Com um pouco de calma e o olhar atento, o pedestre descobre verdadeiras obras de arte a céu aberto em meio à selva de pedra.
E ainda faz uma viagem ao passado.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

5 de novembro, DIA DA CULTURA BRASILEIRA

 Esta data foi escolhida porque a 5 de novembro de 1849 nasceu Rui Barbosaum dos intelectuais brasileiros mais brilhantes de todos os tempos.

Rui Barbosa era dotado não apenas de inteligência privilegiada, mas também de grande capacidade de trabalho. Essas duas características permitiram-lhe deixar marcas profundas em várias áreas de atividade profissional: no campo do direito - seja como advogado, seja como jurista -, do jornalismo, da diplomacia e da política.

Orador imbatível e estudioso da língua portuguesa, sua produção intelectual é vastíssima, e como um liberal, foi sempre um defensor incansável de todas as liberdades. Seus pensamentos não perdem a atualidade.
A justiça atrasada não é justiça; senão injustiça qualificada e manifesta. 
A justiça pode irritar porque é precária. A verdade não se impacienta porque é eterna. 
A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade... Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real.

Rui Barbosa , baiano de nascimento, escolheu o Rio de Janeiro para morar. Sua casa, hoje uma fundação, está localizada em lote de uma das antigas chácaras de Botafogo  - atual Rua São Clemente - que, no século XIX e primeiras décadas do século passado, era o bairro preferido pela aristocracia como área residencial. Em estilo neoclássico, a casa, situada no meio de um vasto jardim, foi residência de Rui e de sua família até 1923.

reprodução site- acervo Fundação Casa de Rui Barbosa 


Em 1924, um ano após sua morte, o governo comprou o prédio, inclusive a biblioteca e o arquivo de Rui. Quatro anos mais tarde, adquiriria também o mobiliário.

Em 13 de agosto de 1930 o presidente Washington Luís inaugurava-a como o primeiro museu-casa do Brasil, homenageando seu antigo líder político. Na ocasião, cada um dos aposentos ganhou um nome, rememorando passagens significativas de seu patrono.

A Rui Barbosa são atribuídas histórias curiosas por conta de sua linguagem. Aqui vale o registro de uma delas.


 Em noite de feroz inspiração, Rui Barbosa saiu a passeio pelo campo, e, topando com um roceiro que contemplava o luar, disse-lhe: 
               - És um amante do belo! Acaso, já viste também os róseos-dourados dedos da aurora tecendo uma fímbria de luz pelo nascente, ou as sulfurosas ilhotas de sanguíneo vermelho pairando sobre um lago de fogo a esbrasear-se no poente, ou as nuvens como farrapos de brancura obumbrando a lua, que flutua esquiva, sobre um céu soturno 
               - Ultimamente, não - respondeu o caipira pasmado. Faz um ano que num boto pinga na boca.

VIVAS AO DIA DA CULTURA!
VIVAS A RUI BARBOSA!




domingo, 4 de novembro de 2012

Seguindo o barquinho do Menescal


Nesse domingo, navegamos na maré da Bossa Nova, nas ondas sonoras de uma linda canção:
 O Barquinho, de Menescal e Bôscoli.

 Com Menescal, Wanda Sá e o grupo Bebossa,
em arranjo sensacional!





 A canção que surgiu em meio à turbulência. 

Durante um passeio no mar, em 1961, próximo às cidades de Cabo Frio e Arraial do Cabo, um barco tripulado por Menescal, Bôscoli e outros amigos teve um problema e ficou à deriva no Oceano Atlântico. Após várias tentativas para religar embarcação, sem sucesso, Menescal começou a dedilhar uma melodia em seu violão, inspirado, justamente, pelo ruído feito pelo motor que não pegava.Mais tarde, com o sol quase se pondo, felizmente apareceu um outro barco para rebocá-los até a costa. Satisfeitos, os tripulantes, brincando foram cantarolando: “O barquinho vai… A tardinha cai”.No dia seguinte, porém,  Bôscoli liga pro Menescal  e começam a recordar o fato e, aí, para nossa sorte, eles transformaram aquele episódio quase trágico em um “dia de luz, festa do sol”.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Em 1 de novembro... há 90 anos

Em 1 de novembro de 1922,  há 90 anos, morria, no Rio de Janeiro, o escritor  Lima Barreto.


Carioca,  foi jornalista e um dos mais importantes escritores libertários brasileirosLima Barreto, mulato num Brasil que mal acabara de abolir oficialmente a escravatura, teve oportunidade de boa instrução escolar.

Começou a sua colaboração na imprensa desde estudante, em 1902, no A Quinzena Alegre, depois no TagarelaO Diabo, e na Revista da Época. Em jornais de maior circulação, começou em 1905, escrevendo no Correio da Manhã uma série de reportagens sobre a demolição do Morro do Castelo. Daí em diante, colaborou em vários jornais e revistas, Fon-Fon, FlorealGazeta da TardeJornal do CommercioCorreio da Noite e A Noiteonde publicou, em folhetim, Numa e a Ninfa.

Simpático ao anarquismo, passou a militar na imprensa socialista.  Foi o crítico mais agudo da época da República Velha no Brasil, rompendo com o nacionalismo ufanista e pondo a nu a roupagem da República, que manteve os privilégios de famílias aristocráticas e dos militares.
Sua vida foi atribulada pelo alcoolismo e por internações psiquiátricas, ocorridas durante suas crises severas de depressão - à época era um dos sintomas pertencentes ao diagnóstico de neurastenia.
Em sua obra, de temática social, privilegiou os pobres, os boêmios e os arruinados. 

Vale (re)ler o texto SUBÚRBIO, do livro Clara dos Anjos, escrito em 1922, no ano de sua morte  e só publicado postumamente em 1948.

"O subúrbio propriamente dito é uma longa faixa de terra que se alonga, desde o Rocha ou São Francisco Xavier, até Sapopemba, tendo para eixo a linha férrea da Central. Para os lados, não se aprofunda muito, sobretudo quando encontra colinas e montanhas que tenham a sua expansão; mas, assim mesmo, o subúrbio continua invadindo, com as suas azinhagas e trilhos, charnecas e morrotes.  Passamos por um lugar que supomos deserto, e olhamos, por acaso, o fundo de uma grota, donde brotam ainda árvores de capoeira, lá damos com um casebre tosco, que, para ser alcançado, torna-se preciso descer uma ladeirota quase a prumo; andamos mais e levantamos o olhar para um canto do horizonte e lá vemos, em cima de uma elevação, um ou mais barracões, para os quais não topamos logo da primeira vista com a ladeira de acesso.  
Há casas, casinhas,  casebres, barracões, choças, por toda a parte onde se possa fincar quatro estacas de pau e uni-las por paredes duvidosas. Todo o material para estas construções serve: são latas de fósforos distendidas, telhas velhas, folhas de zinco, e, para as nervuras das paredes de taipa, o bambu, que não é barato. 
Há verdadeiros aldeamentos dessas barracas, nas coroas dos morros, que as árvores e os bambuais escondem aos olhos dos transeuntes.  Nelas, há sempre uma bica para todos os habitantes e nenhuma espécie de esgoto.  Toda essa população pobríssima, vive sob a ameaça constante da varíola e, quando ela dá para aquelas bandas, é um verdadeiro flagelo. 
Afastando-nos do eixo da zona suburbana, logo o aspecto das ruas muda.  Não há mais gradis de ferros, nem casas com tendências aristocráticas: há o barracão, a choça e uma ou outra casa que tal.  Tudo isto muito espaçado e separado; entretanto, encontram-se por vezes, “correres” de pequenas casas, de duas janelas e porta ao centro, formando o que chamamos “avenida”. 
As ruas distantes da linha da Central vivem cheias de tabuleiros de grama e de capim, que são aproveitados pelas famílias para coradouro.  De manhã até a noite, ficam povoadas de toda espécie de pequenos animais domésticos: galinhas, patos, marrecos, cabritos, carneiros e porcos, sem esquecer os cães, que, com todos aqueles, fraternizam. 
Quando chega a tardinha, de cada portão se ouve o “toque de reunir”: “Mimoso”!  É um bode que a dona chama.  “Sereia”!  É uma leitoa que uma criança faz entrar em casa; e assim por diante. 
Carneiros, cabritos, marrecos, galinhas, perus – tudo entra pela porta principal, atravessa a casa toda e vai se recolher ao quintalejo aos fundos. 
Se acontece faltar um dos seus “bichos”, a dona da casa faz um barulho de todos os diabos, descompõe os filhos e filhas, atribui o furto à vizinha tal.  Esta vem a saber, e eis um bate-boca formado, que às vezes desanda em pugilato entre os maridos.A gente pobre é difícil de se suportar mutuamente; por qualquer ninharia, encontrando ponto de honra, brigando, especialmente as mulheres. 
O estado de irritabilidade, provindo das constantes dificuldades por que passam, a incapacidade de encontrar fora de seu habitual campo de visão motivo para explicar o seu mal-estar, fazem-nas descarregar as suas queixas, em forma de desaforos velados, nas vizinhas com que antipatizam por lhes parecer mais felizes.  Todas elas se têm na mais alta conta, provindas da mais alta prosápia; mas são pobríssimas e necessitadas.  Uma diferença acidental de cor é causa para que possa se julgar superior à vizinha; o fato do marido desta ganhar mais do que o daquela é outro.  Um “belchior” de mesquinharias açula-lhes a vaidade e alimenta-lhes o despeito. 
Em geral essas brigas duram pouco.  Lá vem uma moléstia num dos pequenos desta, e logo aquela a socorre com os seus vidros de homeopatia. 
Por esse intrincado labirinto de ruas e bibocas é que vive uma grande parte da população da cidade, a cuja existência o governo fecha os olhos, embora lhes cobre atrozes impostos, empregados em obras inúteis e suntuárias noutros pontos do Rio de Janeiro."

Duas fotos de subúrbios cariocas, nos tempos de Lima Barreto, início do século XX,  pelas lentes de Augusto Malta.

O então sofisticado Jardim do Méier, em torno de 1915

A Pavuna em 1918