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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
O samba de sambar
É CARNAVAL!
Poetas do Estácio criam nova forma de tocar samba e mudam o carnaval
Armando Marçal, Paulo e Alcebíades Barcelos, o Bide entre as pastoras: fundadores da Deixa Falar
O bairro do Estácio marcou seu nome na história pela criação da
primeira escola de samba do país, a Deixa Falar.
Mas sua importância não
se resume a isso. Os bambas da região mudaram a forma de fazer samba e
influenciaram o gênero de forma definitiva, determinando o modo de se
brincar carnaval que conhecemos até hoje.
Durante os anos 20, a
região era o berço da boemia carioca. Reduto da batucada e dos terreiros
de candomblé, o Estácio atraía intelectuais, malandros, trabalhadores
braçais, profissionais liberais, prostitutas e música... muita música.
Por lá alguns compositores despontavam com um samba marcado, mais
acelerado: “o samba de sambar”, diferente do praticado pela turma de
Donga, Caninha e Sinhô, dançado nos salões num ritmo mais lento,
semelhante ao maxixe.
Foi
com esse compasso moderno que um grupo do Estácio criou em 12 de agosto
de 1928 a Deixa Falar, a primeira escola de samba do país. Era um
bloco, mas chamado de escola por seus próprios fundadores: Ismael Silva,
Bide, Mano Rubem, Marçal, Paulo Barcellos e Brancura, entre outros.
Eles se diferenciavam das outras agremiações carnavalescas pela
organização: tinham diretoria própria, com cada membro responsável por
uma função; e não permitiam a entrada de integrantes forasteiros em suas
alas.
A Praça Onze na década de 1930 Cada
sócio pagava 5.000 réis de mensalidade, e a sede ficava na casa de um
sargento da polícia — quase uma ironia, já que os órgãos públicos ainda
perseguiam as manifestações carnavalescas.
Ismael Silva: líder da Deixa FalarEntre
1929 e 1931, a Deixa Falar fez desfiles memoráveis como bloco pela
Praça Onze e pelo Estácio. Três ou quatro sambas eram tocados, com
refrão e um solista improvisando o restante dos versos. Em 1932, o
jornal “Mundo Sportivo” organizou o primeiro concurso entre escolas de
samba. Mas a Deixa Falar não quis participar – preferiu se inscrever na
competição dos ranchos, mais prestigiada na época. O desfile foi
desastroso, e a agremiação nem foi classificada. Passado o carnaval, a
Deixa Falar entrou em crise e enrolou a bandeira no mesmo ano. Mas
serviu de exemplo para outras agremiações. Formou alunos, fez escola. E
entrou para a história. A
Deixa Falar não deixou apenas o ritmo mais acelerado e marcado de seu
samba. Outra importante herança está até hoje nas baterias das escolas
de samba: o surdo, introduzido por Bide, na época feito com uma lata
grande e redonda de manteiga, dois aros e um couro esticado. Usado em
orquestras até então, o instrumento ajudava no desfile para manter a
cadência e podia ser ouvido por todos os componentes — não existia
sistema de som antigamente na Praça Onze. Outro clássico da
bateria, a cuíca também tem um pai do Estácio. Foi João da Cuíca que
colocou pela primeira vez o instrumento nos desfiles, quando os jornais
ainda o chamavam de “puíta”, o instrumento que emitia um “som
diferente”.
A Deixa Falar não deixou apenas o ritmo mais acelerado
e marcado de seu samba. Outra importante herança está até hoje nas
baterias das escolas de samba: o surdo, introduzido por Bide, na época
feito com uma lata grande e redonda de manteiga, dois aros e um couro
esticado. Usado em orquestras até então, o instrumento ajudava no
desfile para manter a cadência e podia ser ouvido por todos os
componentes — não existia sistema de som antigamente na Praça Onze. Outro
clássico da bateria, a cuíca também tem um pai do Estácio. Foi João da
Mina que colocou pela primeira vez o instrumento nos desfiles, quando os
jornais ainda o chamavam de “puíta”, o instrumento que emitia um “som
diferente”.
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