quarta-feira, 17 de setembro de 2008

1968

Muito já se falou do aspecto político de 68.
Que tal um outro olhar ? Tão interessante, quanto.

No ano de 1968, ainda éramos Guanabara.

SAUDADES DA GUANABARA
!
(aliás título de um belo samba de Moacyr Luz e Aldir Blanc)

O governador, Negrão de Lima.
Ainda existia o Solar da Fossa, o bar Veloso,
o Calabouço, o Castelinho.
O concurso de miss despertava frisson.

O Miss Brasil 1968 foi um dos mais disputados.
A Miss Beleza Internacional foi
Maria da Glória Carvalho, a Miss Guanabara .

  • Maria da Glória Carvalho, na capa da revista MANCHETE, quando venceu o Miss Guanabara

    Em 1968, surgem dois sucessos:
    o Corcel e o Opala ,
    que passaram a desfilar pelas ruas do Rio de Janeiro.



    Veruskha, Twiggy, mini-saia, gola roulé, óculos grandes, moda unissex e hippie. Surgem as butiques com sua grifes. Explodia a mo­da psicodélica, trazendo cores gritantes para as roupas. O vestido tubinho imperava; os biquinis eram retos e baixos. Os cabelos, mantidos lisos com a famosa “touca”, mas nas festas, ainda reinavam os coques com gomos e vírgulas, com muito laquê. O uso da meia-peruca estava bem presente.

    Na maquiagem há uma explosão de cores nas sombras, delineadores e rímel.


    Assim se fazia touca. Quanto sacrifício!!!!!!!!


    O filme do ano: Romeu e Julieta, de Zefirelli, atraiu filas imensas em todos os cinemas.



    Outros sucessos de 68
    A primeira noite de um homem, Bonnie and Clyde e
    Ao Mestre com Carinho.





    Vivíamos de ouvido colado na Rádio Tamoio, AM já com jeito de FM.

    Quem não se lembra do Discos Estrelinhas - o disco que começa a brilhar - , ou Música na Passarela, que tocava as canções a serem votadas e apresentava, em ordem decrescente, as dez vencedoras do dia.
    Todas as músicas eram escolhidas por suas cores, e eles inventavam cada cor!
    Música ciclâmen, lembram?

    Mas também despontava a Rádio Mundial e o genial Big Boy, com sua linguagem inovadora.


    Big Boy

    O botão do rádio ficava pra lá e pra cá. Tamoio, Mundial.
    As duas estações eram uma ao lado da outra.

    Nelas, em 68, ouvíamos músicas como
    Hey Jude (Beatles) , Viola Enluarada( Marcos Vale), MacArthur Park( Richard Harris), Mrs. Robinson(Simon & Garfunkel), The Fool On The Hill (Sergio Mendes & Brasil '66), To Sir With Love - Lulu, Lonely - The Lovin' Spoonful, Love Is Blue - Paul Mauriat, dentre outras.



    A Jovem Guarda entrava em decadência, mas Roberto Carlos brilhava cada vez mais como estrela - seria o vencedor do Festival de San Remo, na Itália -, e logo não se vincularia a qualquer grupo específico. Gravou nesse ano o disco em que, definitivamente, o Rei deixava de ser um rebelde sem causa, para marcar seu nome definitivamente entre os grandes da música brasileira. O Lp tinha canções eternas como “Se você pensa” e “As canções que você fez pra mim".

    Os festivais de música eram palco de torcidas apaixonadas, e lá surgiram muitos dos grandes nomes da MPB de hoje.

    Eles nos trouxeram Andança - de Paulinho Tapajós e Edmundo Souto, sucesso de Beth Carvalho e Golden Boys-, Helena, Helena, Helena - de Alberto Land, sucesso de Taiguara) , Sabiá - de Tom Jobim e Chico Buarque, sucesso de Cynara & Cybele. Aliás, Chico e Tom foram vaiados porque sua Sabiá foi escolhida pelo júri do FIC, em detrimento da engajada Pra não dizer que não falei de flores, de Geraldo Vandré - 2º lugar .

    O público não percebeu o quão engajada e sutil é a letra de Sabiá.

    Tom, Cynara e Cybele e Chico, no palco do Maracãnazinho
    Timidamente as novelas começavam a entrar nos lares, através da televisão.
    O grande sucesso foi Antonio Maria, de Gerado Vietri, na Tv Tupi,
    protagonizada por Sergio Cardoso e Araci Balabanian .



    Na iniciante Tv Globo, eram os tempos de Glória Magadan, e seus dramalhões mexicanos.

    1968 nos deixou mais pobres, do humor inteligente do carioca Sergio Porto, e também do pernambucano Manuel Bandeira, que se intitulava " carioca de coração" e que de sua janela via, diariamente, a Baía de Guanabara, paisagem que "adorava apreciar".

    Ah, 1968!
    Eu me perco nos teus passos...e me encontro na canção...
    (verso de Modinha, sucesso de 1968, de Sergio Bittencourt)

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