quinta-feira, 18 de setembro de 2008



Nesse setembro de campanhas políticas, vale lembrar o sempre atual texto
de Rui Barbosa,
que escolheu a cidade do Rio de Janeiro como seu lar.


SINTO VERGONHA DE MIM

Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia, pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez no julgamento da verdade,
a negligência com a família, célula-Mater da sociedade,
a demasiada preocupação com o 'eu' feliz a qualquer custo,
buscando a tal 'felicidade' em caminhos eivados
de desrespeito para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade para reconhecer um erro cometido,
a tantos 'floreios' para justificar actos criminosos,
a tanta relutância em esquecer
a antiga posição de sempre 'contestar',
voltar atrás e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor ou enrolar o meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti, povo deste mundo!

'De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto'

No agradável palacete à rua São Clemente, em Botafogo, construído em 1850 - hoje fundação-, Rui Barbosa tinha hábitos muito simples: adorava além de ler, cultivar rosas e dar festas, pois queria ver em torno dele " gente moça e alegre".
Seus salões foram dos mais famosos e concorridos, no Rio da belle époque.

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